O handebol é um esporte que possui características de esforços de alta intensidade e curta duração com pausas entre estes, o que exige de seus praticantes um alto índice de condicionamento físico. Porém, em nosso país há escassez significativa de estudos que retratem o handebolista brasileiro em vários aspectos, principalmente, àqueles referentes à melhora da sua performance, já que recaem solicitações físicas, muitas vezes inesperadas, intensas e das mais variadas formas durante os treinos e as partidas (SOUZA et al, 2001).
Levando-se em consideração as demandas físicas, técnicas e táticas do handebol, e a alta incidência de lesões, é a segunda modalidade com maior índice, o desenvolvimento de estratégias para prevenção das lesões desportivas deve requerer, sobretudo, a quantificação sistemática de diagnóstico específico das lesões, bem como investigação de potenciais fatores de risco, tais como: características pessoais, equipamentos e modelos de treinamentos (ALMEIDA et al, 1999).
O primeiro fator profilático fundamental evidenciado, foi a evolução do treinamento desportivo, onde houve um aperfeiçoamento na especificidade do desporto, propondo que é fundamental o conhecimento das particularidades de cada posição e características do atleta para, assim, especificar e aprimorar o treinamento destes.
O uso de equipamentos de proteção do atleta é o segundo meio preventivo a lesão, porém, não é obrigatório no handebol. Seu uso varia muito com a posição em que o atleta atua. O instrumento mais utilizado mesmo com uma porcentagem baixa são a joelheira (23,8%), seguida as tornozeleiras (21,3%) e também (21,3%) algum tipo de imobilizador como bandagens, órteses articuladas e apropriadas para cada articulação (INGHAM et al, 2004).
As órteses reduziram a freqüência de reincidência de uma lesão e sua gravidade, mas não são efetivas na redução da incidência e gravidade das lesões em indivíduos sem história de lesão.
Outro fator importante que deve ser abordado é o déficit proprioceptivo, sendo fatores colaborativos a incidência de lesões desportivas, fazendo-se necessário este treinamento como forma de prevenção e reabilitação para estas intercorrências.
A propriocepção é um mecanismo componente do “feedback” sensorial aferente que, quando lesado, compromete a estabilização neuromuscular reflexa normal, predispondo as novas lesões. Para o treinamento proprioceptivo, utilizam-se diversos exercícios e recursos para o recrutamento destes proprioceptores. Para que este tipo de recurso seja utilizado com sucesso, é necessário o conhecimento do esporte e trabalho de forma dinâmica, com diferentes solos, diferentes instrumentos e ambientes, para uma reabilitação eficaz. Lembrando que este tipo de terapia é uma forma profilática para novas lesões.
Quanto aos treinamentos, os mais preconizados para prática do handebol são os aeróbicos, conforme Gonçalves et al (1991), pois com este associado a uma dieta alimentar adequada no sentido de reduzir o componente de gordura representado pela forma endomorfia. Acredita-se que se chegará com esta forma de treinamento ao somato-tipo ?ideal? que seria endo-mesomorfo, em função da solicitação energética do desporto, auxiliando na obtenção de melhor desempenho funcional e motor, dando assim mais velocidade, agilidade ao atleta, o que colabora para desvios de obstáculos existentes em sua trajetória e também para um melhor condicionamento físico minimizando as micro-lesões musculares.
É importante ressaltar erros de treinamento onde, visando uma melhor performance, predispondo o atleta a prática excessiva de exercícios de alongamentos, para ganhar maior amplitude de movimento e flexibilidade plena desde idade precoce, ocasionando frouxidão e mesmo instabilidade, tornando a articulação mais suscetível a lesões. Porém, não se trabalhando a flexibilidade e estabilidade articular fica incapaz de proporcionar melhor movimento levando aos erros técnicos e conseqüente perda de performance (HERBERT e XAVIER, 2003).
Para qualquer programa preventivo ter sucesso, é necessário realizar um trabalho educacional que enfatize a biomecânica e as influências que o meio ambiente exerce nas atitudes e hábitos desenvolvidos e adotados pelos indivíduos. Deste modo, é interessante a associação de exercícios de musculação, bem como orientação nutricional. É notável a importância do Educador Físico e do Fisioterapeuta no auxilio destes exercícios, pois o trabalho muscular localizado age de forma preventiva e terapêutica a lesões.
É de suma importância que para a prevenção das lesões mais comuns no handebol, os profissionais de áreas afins, em ênfase fisioterapeutas, técnicos e preparadores físicos, tenham conhecimentos sobre a modalidade, quais as ações, os movimentos mais comuns, principalmente as peculiaridades e especificidade de cada posição de jogo. Cada posição é impar, e assim, as formas de prevenção também, já que quanto melhor o conhecimento referente ao assunto melhor será a elaboração dos meios profiláticos, bem como a individualidade do tratamento e até mesmo do treinamento.
Contato: fsfhand@hotmail.com
fsfhand@bol.com.br
BIBLIOGRAFIA
ALMEIDA A. S; WILLIAMS K. M; SHAFFER R. A; BRODINE S. K. Epidemiological patterns of musculoskeletal injuries and physical training. Med Sci Sports Exerc. v.31. p.1176-2, 1999.
GONÇALVES H. R; OSIECKI R; TSUNETA P; ZAMBERLAN E. Parâmetros antropométricos, metabólicos e motores em handobolistas e alto nível. Rev. Bras. De Ciência e Movimento, v. 5, n. 1, 1991.
HERBERT SIZÿNIO; XAVIER RENATO. Ortopedia e traumatologia: Princípios e Prática. 3. ed. Porto Alegre: Armed, 2003. 1631p.
INGHAM S. J. M.; ALLOZA J. F. M.; LOPES A. D.; CHAMLIAM T.; R.; COHEN M. Epidemiologia das lesões durante a prática do handebol. Med Reabil. v.23, n.1, p. 2-5, 2004.
SOUZA J; RIBEIRO M. A; RAMIREZ G. A; BREVILHÉRI J. C. Evolução da potência aeróbica máxima em atletas de handebol adulto durante o período de preparação. Revista treinamento desportivo. P 29-34, 2001.
Cordialmente escrito por: Fabiana Santos Franco