Um Fusca e o Handebol Análise do Jogo como Ferramenta Pedagógica
fev 28

Quando tratamos do tema ?ensino do esporte?, muitas vezes tendemos a cair numa realidade que vem sendo questionada pela evolução do estudos da Pedagogia do Esporte que é acreditar que talento é algo inato, próprio de cada um, determinado pelas suas características genéticas/hereditárias.

Nós como professores, muitas vezes deixamos de lado nosso potencial de ensinar uma pessoa, tendo única e exclusiva atenção a idéia de buscar talentos e de acordo com nosso interesse iniciar um certo controle de sua vida, indicando para grupos de treinamento avançado, equipes e outras possibilidades.

Isso está associado a uma idéia conhecida com a ?metáfora do balde?. Nela, acredita-se que ao nascer, cada um tem consigo um balde vazio, sendo a vida o momento em que esse balde deverá ser preenchido. Aquele que nasce com um balde maior será aquele que irá despontar como um talento, devendo apenas ser encontrado e encaminhando para a finalidade que seu grande balde o conduz.

Ora, nossa função de professores está aonde dentro dessa teoria? Se o tamanho do balde determina o potencial individual, ensinar pra que?

Com outro ponto de vista, o aluno que é socialmente concebido como talentoso, graças à genética, terá que estímulo para aprender?

Complementando a idéia dessa metáfora, temos um fator importantíssimo na formação pessoal e também esportiva das pessoas: a necessidade de encher esse balde, afinal, um balde grande realmente nos dará mais condições de preenchê-lo, seja com coisas boas, seja com coisas ruins e isso definitivamente será um fator imprescindível no desenvolvimento da inteligência de jogo de nossos alunos.

Se um aluno com um grande balde possui um grande potencial genético/hereditário, esse potencial pode ser duramente influenciado pela falta de direcionamento no ensino.

Paralelamente, mesmo não tendo um balde tão grande, outro aluno nosso, através do direcionamento pautado em metodologias que desenvolvam sua capacidade de resolver problemas (inteligência) conseguirá agregar um conteúdo capaz de equipará-lo àquele com grande balde e pouco conteúdo de qualidade dentro dele.

Isso significa que ao invés da busca incessante de alunos com grandes baldes, devemos nos preocupar com um preenchimento qualitativo desse balde, pois assim capacitaremos os baldes não tão grandes e potencializaremos toda a capacidade daqueles com baldes maiores. No fim, teremos um leque de alunos com boa capacidade de jogo, inteligência e possibilidade de jogar bem o handebol.

Referências

LEITÃO, Rodrigo Aparecido Azevedo. É possível formar Pelés? Implicações na tática do jogo. Site Cidade do Futebol [clique aqui]

Projeto Campus Pelé. O Manual do Atleta Inteligente. (Não Publicado)

Cordialmente escrito por: Lucas Leonardo

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7 Comentários para “Metáfora do Balde - Influência do ambiente de ensino sobre o potencial genético”

  1. Gisélen Says:

    Realmente…
    Todos possuem um potencial ao qual deve ser usurfruido, muitos não conseguem ver a capacidade que cada ser humano tem, nós que temos vontade de aprender nunca podemos lembrar que existe a palavra limite, creio eu que temos que buscar em nós um ser supersaturado de conhecimento e principalmente de prática nos esportes…
    Essa “Metáfora do balde” diz em outras palavras exatamente isso, a capacidade que cada um possui dentro de si.
    Não existe pessoas sem capacidade, existem aquelas que possuem dificuldade, nada que a prática não resolva.

    Gisélen Katiane.

  2. Lucas Leonardo Says:

    Ótimo comentário, agradeço por esclarecer ainda mais a idéia desse artigo.
    Creio também que além disso, devemos questionar nosso papel como professores, pois muitas vezes “profissionais” de educação física focam-se na busca por talentos, apenas, esquecendo que sua função é de ensinar, e portanto, capacitar.
    Abraços

  3. Thiago Simões Says:

    Olá Prof. Lucas,

    Primeiramente queria parabeniza-lo pelo artigo que nos leva a uma boa reflexão do verdadeiro papel de um treinador.

    O grande problema que vemos é que muitos técnicos que precisam “lavar” logo o chão se valem de atletas com seus baldes e quando menos se espera devido a falta de cuidado a alça do balde se quebra o balde racha e ai outro balde será necessário para lavar o chão.

    Vamos pensar mais na integridade dos atletas.

    Um abraço!

  4. André Carvalho Says:

    boas, bom artigo

    eu não sei ao certo que tamanho é o meu “balde” mas estou certo que ele é daquele tipo elástico, e de qualidade, vai aumentando volume à medida que enche, eu todos os dias treino com ambição para ser “alguem” no andebol, não importa o que os outros dizem. Essa teoria do balde foi boa porque há muitos treinadores que só vêm aqueles jogadores muito bons da altura, deixando os outros mais fracos para trás, mal sabendo eles que lá poderá estar um grande talento.
    bem..cumprimentos..parabens pelo artigo..

  5. Rosana Pereira Says:

    Querido Lucas,

    Muito interessante seu texto, e a idéia do balde vazio a ser preenchido. Na formação de professores comete-se ainda hoje a perpetuação dessa idéia, mesmo pq muitos utilizam ainda uma educação livresca, em da utilização da contemporaneidade aliada a interdisciplinaridade, assim como a humanização das idéias.
    Parabéns!

  6. Jessica Says:

    >>’muito bom aki em’…se tiver algum time de MG precisando
    de armadora (esquerda ou direita) eh so me convocar to sem time…=(

  7. Lucas Leonardo Says:

    Olá Rosana, fico muito feliz em ler uma citação à importância da INTERDISCIPLINARIDADE!
    Obrigado pelo comentário que só veio a acrescentar ao artigo.

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